RAMON OTERO PEDRAYO (1886-1976) E A CONSTRUÇÃO DE UMA HISTÓRIA CULTURAL DA GALÍCIA: APONTAMENTOS PARA UMA LEITURA CRÍTICA DE ‘ENSAIO SOBRE A CULTURA GALEGA’ (1a. 1932)
A Construção de uma História Cultural[1] Galega: séculos XIX e XX
Na pesquisa de doutorado que inicio neste semestre me ocupo da construção de uma História Cultural da Galícia produzida, particularmente, entre os séculos XIX e XX. Como História Cultural compreendo o conjunto de trabalhos que procuram estabelecer, durante o período em questão, uma compreensão ampla sobre as diferentes manifestações e expressões históricas e culturais próprias de uma determinada sociedade ou comunidade. Literaturas, orais e escritas, trabalhos arquitetônicos, sítios arqueológicos, espaços naturais, as chamadas manifestações folclóricas são, na perspectiva dos escritores aqui estudados, farto e importante material para que se possa compreender o universo tipológico de um grupo. Estão, estes escritores, em boa medida, em acordo com as idéias de construção e de caracterização dos chamados Estados Nacionais tão em voga no período, no caso particular, ocupam-se da sua região, a Galícia.
Escritores como Ramon Otero Pedrayo e Manuel Murguía, cada qual a sua maneira, participam da criação e codificação de um repertório daquilo que poderei chamar também de uma memória galega. Memória é aqui tratada como Cultura; utilizo-me da concepção teórica do semioticista russo, Iuri Lotman. Jerusa Pires Ferreira (1994-95: 116) assim sintetizou alguns pontos da sua reflexão:
...Traduzir um certo setor da realidade em linguagem, transformá-lo num texto, isto é, numa informação codificada de um certo modo, introduzir esta informação na memória coletiva é para ele (Lotman) um ponto fundamental. Num crescendo, vai nos mostrando que a cultura é informação, codificação, transmissão, memória, e conclui, de forma a não deixar lapsos: somente aquilo que foi traduzido num sistema de signos pode vir a ser patrimônio da memória...
Estabelecidas as propostas da presente reflexão, compreendo que será necessário tratar de algumas questões acerca do contexto histórico vivido pelo autor.
Os Estados Ibéricos, Espanha e Portugal, formam-se, em termos políticos e administrativos, durante a Idade Média e Moderna. O processo de unificação foi lento e dele tomaram parte diversas e diferentes casas aristocráticas que pleiteavam a coroa unificadora. No caso específico da Espanha coube à Casa de Aragão e Castela lograr êxito em reunir sob a sua autoridade várias regiões ibéricas. Ao reuni-las, Castela se estabelece como o novo centro do poder ao qual todas as regiões do novo reino unificado deviam se dirigir. O centralismo administrativo e político em questão é par do estabelecimento da língua castelhana como língua de referência para o conjunto das regiões do Reino[2]. É possível falar que a unificação opera, no interior de certas relações culturais, uma certa castelhanização da Península Ibérica.
A Galícia, falante de uma língua própria e de destacadas qualidades literárias[3], se vê obrigada, por força de participar de um Reino e não ser ela a sua cabeça, a adotar uma nova língua. A sua própria restringe-se às situações não-oficiais, espaços familiares e públicos. O galego transforma-se em língua apenas falada, a escrita é, por força das novas circunstâncias, feita, sobretudo, na língua castelhana.
Naquele tempo havia um homem lá. Ele existiu naquele tempo. Se existiu, já não existe. Existiu, logo existe porque sabemos que naquele tempo havia um homem lá e existirá, enquanto alguém contar a sua história. Era um ser humano que estava lá, ‘naquele tempo’, só seres humanos podem contar a sua história porque só eles sabem o que aconteceu ‘naquele tempo’. ‘Aquele tempo’ é o tempo dos seres humanos, o tempo humano.
Agnes Heller. Uma Teoria da História
Chamo de escritura de uma História Cultural da Galícia um determinado conjunto de obras elaboradas no interior do Rexurdimento Gallego. Explico-me melhor: sobretudo a partir do século XIX, a Galícia, província na região noroeste da Península Ibérica, na figura de alguns dos seus escritores procura valorizar o que julgava os elementos definidores da sua galicidade. Esse movimento de rexurdimento é, em certa medida, uma afirmação frente ao governo central espanhol de que eles, os galegos, tinham uma cultura e uma história e que a desejavam ver valorizada e respeitada. A galicidade pode ser compreendida como a definição e caracterização do ser galego e é par do chamado galeguismo aqui tratado, seguindo a apresentação sugerida por Ramón Villares (1991: 151), de ‘afirmação do caráter diferente da Galícia frente aos outros povos e a luta para conservar e dar forma política a essa diferenciação’. Galicidade e galeguismo encontram-se, pois, imbricados.
Os contos populares, as líricas, as ruínas dos tempos antigos, entre outros, dizem aos que as recolhem quem seriam os galegos. O estudo do folclore e das antigüidades[4], entre outros tantos sinais, serviriam para o desvelamento do espírito (no sentido empregado por Herder) que animaria às gentes galegas. Importa observar que o chamado rexurdimento é um movimento por demais heterogêneo, e, não caberia aqui considerar a complexidade de tal empreendimento.
Alguns autores apegaram-se, no caso galego, ora a uma afirmação irrestrita das ‘marcas’ que definiriam, na sua perspectiva, a natureza do ser galego, construindo assim o que se convencionou chamar de regionalismo[5], ora, a uma compreensão que entendia o universo galego como integrante do universo cultural espanhol e europeu. As duas leituras aqui sugeridas encontram-se nas obras dos dois autores escolhidos para se pensar o problema. Em linhas gerais, Manuel Murguía, pode ser identificado com a primeira leitura, ao passo que, Otero Pedrayo, aproxima-se da segunda. Importa observar, que tais formulações nos dois autores, sobretudo em Otero Pedrayo, encontram-se formuladas, por vezes, de maneira bastante ambígua e apresentam ao longo do conjunto das suas obras algumas alterações.
Primeiros apontamentos para uma leitura crítica da obra de Ramon Otero Pedrayo
Os apontamentos aqui iniciados pretendem constituir-se em algumas chaves de leitura possíveis para se pensar o trabalho de Otero Pedrayo, bem como, alguns aspectos da construção de uma História Cultural da Galícia. Se está em questão o pensamento de um autor, será necessário, com o desenrolar da pesquisa, considerar Ensaio sobre a Cultura Galega como um momento da reflexão do autor. As idéias aí expressas e desenvolvidas serão, necessariamente, consideradas dentro do conjunto da obra do autor.
Ramon Otero Pedrayo, prolífico escritor, tem uma obra tão extensa quanto variada. Escreveu romances, peças de teatro, ensaios históricos, estudos sobre Geografia, nada parece lhe ter escapado. Obra tão variada, todavia, guarda, creio, algumas constantes, se não quanto a análise pelo menos quanto à importância dada a determinados tópicos. Tal é o caso, por exemplo, do papel assumido pela Natureza e pelos temas geográficospara a compreensão das dinâmicas galegas. Isto não significa que Ensaio sobre a Cultura Galega ou mesmo, o conjunto da sua obra, tenha nesta questão a sua dimensão capital, trata-se, apenas de uma chave de leitura possível e a escolhida para ser esboçada, inicialmente, aqui.
Ensaio sobre a Cultura Galega[6]
A presente leitura inicia-se com uma obra de síntese sobre a Cultura Galega, Ensaio sobre a Cultura Galega[7], de 1932. O próprio autor, em nota[8] explicativa à primeira edição, informa que o texto foi escrito durante o outono-inverno de 1930, e, deveria integrar a Biblioteca de Estudos Galegos. Por várias razões as publicações da coleção foram suspensas. Decidiu-se pela sua publicação, em 1932, na Editora Anxel Casal. O ensaio foi publicado originalmente em castelhano, Otero Pedrayo pretendia, como expôs ainda na mesma nota, tornar o tema da História da Galícia acessível assim aos espanhóis. A escolha desta obra explica-se, como já observado, pela sua natureza de síntese e pela riqueza de ‘sugestões interpretativas’ nela presentes como anotado pelo historiador Ramón Villares (1991: 176). Qualidades de um texto marcante.
Chamo-a de obra de síntese pelo seu caráter abrangente tanto em termos temáticos como cronológicos. Ocupa-se das culturas célticas ibéricas, da conquista romana, da cristianização e das revoluções de meados dos séculos XIX e XX. A sua reflexão revela preocupações com diferentes áreas de estudo: Geografia, História, Antropologia, Estudos Literários, Religião e Arqueologia, entre outras. Se a perspectiva cronológica é extensa e as áreas de estudo para se pensar o problema são amplas tudo se resolve, satisfatoriamente, no reconhecimento e estabelecimento de uma constância, a do ser galego. O que significa dizer que os distintos períodos históricos teriam sido vividos por um mesmo homem, imutável nas suas características marcas. Para tanto lança mão, e, é este, em parte, o interesse do presente trabalho de determinadas teorias explicativas da constituição e transformação das sociedades humanas e das suas relações com a Natureza.
As referências utilizadas por Otero Pedrayo para pensar a Galícia são, em boa parte, os trabalhos produzidos por pensadores de língua alemã da chamada Escola Histórico-Cultural[9]. Se no Ensaio são perceptíveis as suas ligações teóricas com esta tradição do pensamento, outros trabalhos sugerem e apontam para outros interlocutores. A dinâmica da construção do pensamento do autor ao longo da obra será devidamente trabalhado para que se possam ser reconhecidos alguns dos seus interlocutores.
A leitura construída por Otero Pedrayo para tratar sobre a história da Galícia parece, e esta é uma hipótese de trabalho, calcada, em parte, na concepção Kantiana de que existiriam duas classes de ciências: as Ciências Especulativas (razão) e as Ciências Empíricas (observação). Cabe lembrar que ao deixar Orense, sua cidade natal, para ir estudar em Madri, Otero Pedrayo estudou Filosofia e Literatura e estaria, portanto, familiarizado com tais questões e leituras.
Em trabalhos como o Ensaio, a História e, sobretudo, a Geografia constituem-se em campos para a observação. Os castros, fortificações romanas ou mesmo anterior a estes, são, de acordo com alguns inventários (PERICOT apud González López: 1980, p.30), da ordem de 5000 em toda a Galícia; somam-se, ainda, o caso das mamoas, edifícios funerários atribuídos aos celtas. O povoamento das paisagens galegas por edifícios antigos, em ruínas ou em uso, serve ao autor para a construção de uma história do passado celta, tão caro ao seu tempo[10]. Tais construções configuravam de tal forma a paisagem galega que o suposto passado céltico, por muitos defendido, transformava-se em uma presença visível; bastava reconhecê-los, e, conferir-lhes os devidos significados. É possível perceber em Otero Pedrayo a leitura da Natureza dentro de um tempo histórico. As edificações, remanescentes de outros tempos, fazem dos espaços naturais um lugar para se encontrar e rememorar as histórias das sociedades galegas. Assim, os campos, os rios, as velhas torres em ruínas expressam os códigos culturais das populações galegas. Otero Pedrayo ao traduzi-los para um novo conjunto de significados e conferindo-lhes novas funções reaparelha os lugares geográficos com novas cargas culturais. A paisagem, a natureza nesta perspectiva, fala de algo perdido, fala da perda do próprio passado e da própria capacidade de se expressar. A língua galega, destituída da sua dimensão literária, o esquecimento da história e herança[11] célticas são para os integrantes do Rexurdimento importantes campos tanto de reflexão como de ação. A releitura dos velhos edifícios, re-significados, viabiliza a construção de novas memórias e de novas histórias. Memórias e Histórias que nas suas dinâmicas próprias incitam a criação de novas formas de expressão.
Iuri Lotman (1990, p.171) demonstrou como o estudo da visão do espaço geográfico é de grande interesse:
...Our understanding of geographical space is one of the ways the human mind models space. Geography came into being in particular historical circunstances and took on different forms according to the nature of the general models of the world, of witch it was a part...
Otero Pedrayo dedicou-se na Universidade de Santiago de Compostela à cadeira de Geografia[12] no período de 1950 e 1958. Destaco aqui dois dos seus interlocutores: Alexander von Humboldt e Friedrich Ratzel.
a) Alexander von Homboldt[13] (1769-1859)
As possíveis influências exercidas pelo meio ambiente na constituição das relações de um grupo são uma das questões importantes no Pensamento Geográfico, dos séculos XIX e XX; em Otero Pedrayo, o problema aparece, ao menos na obra em questão, colocado, em parte, de uma outra maneira, os espaços naturais podem, se devidamente considerados, revelar, no dizer de estudiosos como Humboldt, todo um mundo interior. As reflexões de Humboldt particularmente nas suas proposições sobre o empirismo raciocinado são retomadas por Otero Pedrayo. O geógrafo Antônio Moraes (1985: 48) tratou deste método de observação e de trabalho nos seguintes termos:
...A intuição a partir da observação. O geógrafo deveria contemplar a paisagem de uma forma quase estética (...) A paisagem causaria no observador uma ‘impressão’, a qual, combinada com a observação sistemática dos seus elementos componentes (...) levaria à explicação: à causalidade das conexões contidas na paisagem observada...
Humboldt (1851: vol 2, 1-2) na sua obra Cosmos expôs a questão nos seguintes termos:
...Nous passons de la sphère des objets extérieurs à la sphère des sentiments. Dans le premier volume nous avons exposé, sous la forme d’un vaste tableau de la nature, ce que la science, fondée sur des observations rigoureuses et dégagée de fausses apparences, nous a appris à connaître des phénomènes et des lois de l’univers. Mais ce spetacle de la nature ne serait pas complet si nous ne considérions comment il se reflèt dans la pensée et dans l’imagination disposée aux impressions poétiques. Un monde intérieur se révele à nous. Nous ne l’exploreons pas, comme le fait la philosophie de l’art, pour distinguer ce qui dans nos émotions appartient à l’action des objets extérieurs sur les sens, et ce qui émane des facultés de l’âme ou tient aux dispositions natives des peuples divers. C’est assez d’indiquer la source de cette contemplation intelligente qui nous élève au pour sentiment de la nature, de rechercher les causes qui, surtout dans les temps modernes, ont contribué si puissamment, en éveillant l’imagination, à propager l’étude des sciences naturelles et le goût des voyages lointains...
As proposições de Humboldt serviram a Otero Pedrayo para que ele pudesse compreender e construir as suas narrativas interpretativas sobre as paisagens, os edifícios antigos, como as mamoas e templos como a catedral compostelana.
Importa observar que a partir de meados do século xviii, os espaços naturais, constituem-se em tema de reflexões, sobretudo, nas regiões que viviam a construção de Estados Nacionais, caso da Alemanha, e daqueles países, caso da França e Inglaterra, que expandiam-se sobre outras regiões. A Geografia, bem como, a História, a Literatura Comparada e a Etnografia constituem-se em campos de estudo no mesmo período histórico e atendiam, então, às necessidades colocadas pelas sociedades européias da época.
Encontra-se, em Otero Pedrayo, não apenas a paisagem como campo de estudo da Ciência Geográfica, perpassa o seu trabalho a tópica da Natureza; o estudioso alemão Ernest Curtius, na sua Literatura Européia e Idade Média Latina (1996: 136), mostrou a constância e abrangência deste tema desde a chamada Antigüidade até a Idade Média. Encontram-se, pois, ligadas, no caso de Otero Pedrayo, as tópicas da natureza com as teorias geográficas. Um bom exemplo da primeira é o tema do Finisterra que apareceria já em escritos de Floro (EG: 11), quando da chegada das legiões romanas às costas galegas:
...Um autor clássico, Floro, conta como legiões de Décimo Júnio Bruto, ao chegar às praias da Galiza, viram com ‘religioso horror’ o pôr do sol no curvo horizonte do Oceano vibrante e poderoso. Chegavam aos confins do longínquo Ocidente, o Finisterra, de onde o mundo espreitava o mistério através de uma costa graves promontórios graníticos...
À Geografia e à tópica da Natureza reune-se a leitura histórica e aqui cabe uma observação quanto aos tempos da narrativa. A narrativa histórica ao se ocupar do acontecido trabalha no passado, no caso de Otero Pedrayo, à narrativa histórica no passado soma-se uma narrativa da paisagem no tempo presente. Ensaio sobre a Cultura Galega elabora-se pela combinação destas duas temporalidades; inicia, por vezes, um parágrafo tratando de uma circunstância histórica, no passado, para a seguir, no presente reportar-se a uma descrição da paisagem. A cena histórica, em alguma medida, reverbera, na cena natural.
b) Friedrich Ratzel[14]
Para Ratzel, de acordo com Moraes (Ratzel 1990: 19) ‘a diversidade das condições ambientais explicariam, em grande parte, a diversidade dos povos, pois o substrato da humanidade seria a Terra, onde as sociedades se desenvolveriam em íntimo relacionamento com os elementos naturais’. Importa observar, diferentemente do tanto que se disse, que, o pensamento de Ratzel tanto quanto de Otero Pedrayo, no que se refere à Geografia não faz dela uma determinante da comunidade[15]. O chamado determinismo geográfico existiu enquanto máxima, sobretudo, em alguns leitores de Friedrich Ratzel. Otero Pedrayo atento a tais questões no prólogo ao seu Ensaio (6) anota como esta ‘caindo no abuso sistemático, levava a um fatalismo demasiado simplista para conter os variados aspectos e os caminhos insuspeitados da fisionomia histórica’.
O reconhecimento dos seus diálogos com a chamada Escola Histórico-Geográfica, o empirismo raciocinado de Alexander von Humboldt são, e é isto que se desejou aqui mostrar, algumas chaves para se compreender as idéias de Ramon Otero Pedrayo e a sua concepção de uma História Cultural da Galícia.
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Trabalhos de Ramon Otero Pedrayo
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_____. (ed.) Prefácio in Geografía Universal: descripción moderna del mundo. 2. ed. Barcelona, Instituto Gallach de Librería y Ediciones, 1952, 4 vol., (vol. 1, pp.5-12)
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[1] Por ora, utilizo-me do termo História Cultural, carece no entanto, de uma melhor formulação e encaminho, por ora, as primeiras reflexões sobre o problema
[2] Eis uma questão que ainda carece de um estudo mais atento. A língua galego-portuguesa, que durante certo período serviu para às várias cortes da Península Ibérica como linguagem literária, tem, ao que parece, os seus atributos e significados culturais diminuídos antes mesmo da conclusão do processo de unificação política da Península e do estabelecimento da língua castelhana como língua oficial do Reino.
[3] No período anterior à unificação a língua galega desempenhou destacado papel na Literatura Ibérica. Parte da extensa e rica produção da poesia lírica em galego encontra-se, hoje, reunida em quatro grandes corpos documentais: Cancioneiro da Ajuda, Cantigas de Santa Maria, Cancioneiro da Biblioteca Nacional e o Cancioneiro da Vaticana.
[4] Termo aqui utilizado em acordo com as experiências romântica e folclórica entre os séculos xviii e XIX, ou seja, conjunto de objetos materiais e orais representativos das tradições populares
[5] Trata-se de uma questão importante para o presente trabalho e que deverei, com o desenrolar da pesquisa, melhor tratá-la.
[6] As referências a este texto a partir de agora serão abreviadas para EG
[7] A edição em espanhol tem o título Historia de la Cultura Gallega. Ver bibliografia
[8] Utilizo-me da edição portuguesa: Ensaio sobre a Cultura Galega. Prefácio de Francisco da Cunha Leão. Tradução de José Marinho. Lisboa, Guimarães, 1954, p.1
[9] Chamavam-se ainda de Escola Histórico Geográfica e Ciclo Cultural
[10] Desde meados do século xviii, vários autores europeus procuram estabelecer, dentro de uma perspectiva historicista, uma ligação entre as histórias dos seus respectivos países e a história dos povos celtas. Ver Isaiah Berlin (Vico e Herder. Brasília D.F., Editora da UnB, 1982)e Eric Hobsbawn (A Invenção das Tradições. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1984, pp.53-109)
[11] Entenda-se herança como um conceito, caro para o período, sobre a evolução das sociedades. É possível, entre outras tantas fórmulas, nomear o século XIX, na Europa, como o século das gêneses. Pesquisadores de diversas áreas traçaram as origens lingüísticas, etnológicas e históricas entre outras. O estudo das origens permitia aos pesquisadores comporem um quadro das caracterizações de uma determinada sociedade e perceberem as permanências ou transformações.
[12] Trata-se de um assunto que sempre mereceu grande parte da sua atenção, entre os seus trabalhos: Sintesis xeográfica de Galicia (1929), Problemas de xeografia galega (1927), Paisajes y problemas xeográficos de Galicia (1928), Treinta y tres lecciones de geografia general (1929).
[13] Geólogo, botânico de destacada erudição trabalhou como conselheiro do Rei da Prússia.
[14] Contemporâneo da construção do Estado Alemão no XIX, entre as suas obras destaco Antropogeografia: fundamentos da aplicação da Geografia à História (1882).
[15] A propósito deste problema veja-se a introdução à obra de Ratzel feita pelo geógrafo Antônio Carlos Robert de Moraes (Ratzel: Cientistas Sociais. Ática, São Paulo, 1990, p.10-1)